quinta-feira, 24 de abril de 2008

O universitário da ECoS e o que o futuro lhe guarda - Parte 2

Esse foi o tópico do primeiro post desse blog: dentro de uma universidade católica, rumando para uma graduação em Comunicação Social, na cidade de Pelotas, o que passa na mente do acadêmico?

Os relatos a seguir são de duas ex-alunas da Escola de Comunicação Social da UCPel, em entrevista por e-mail:
  • Andressa Almeida Barros, 22 anos - estagiária de fotografia no relacionamento do Ministério Público Estadual, mora há 10 meses em Porto Alegre.
  • Mariângela Fonseca da Paz, 26 anos - estagiária da assessoria de relacionamento do Ministério Público Estadual, mora há 4 meses em Porto Alegre.

Andressa Barros
  1. És formada? NÃO eu não sou formada ainda! buáááááá :~~ e nem tenho previsão certa de qndo serei! afinal não reaproveitaram quase nada de cadeiras da Ucpel na Unisinos e ainda tô lutando para me liberar de mais algumas agora que conheci o coordenador do curso (sim aqui não fazemos a matrícula com o
    "Jairinho" do lado! só conheci o cara pq dei sorte de cair na única matéria que ele leciona!). Affe...¬¬
  2. Independente disso, achas importante ter diploma? Acho que nos dias de hji o diploma é super importante, pq fora os jornalecos do interior (interior meeeeesmo! não Satolep! falo daquelas cidades que o sindicato acha que não vale a pena cair em cima!) tu não consegue ser contratado!!! o que é bom, afinal gastamos um dinheirão pra conseguir o tal canudo né? e não queremos (nem achamos justo!) quem não
    tem, roubar o "nosso" lugar! mas não acho que quem não seja formado tenha menos competência que os demais! até pq tem muito formado que de nada entende!!! é só pq realmente me sinto lesada! (nós humanos somos egoístas mesmo!). Ah tb tem que ver o foco em que a pessoa quer trabalhar,
    cinegrafista por exemplo não precisa ser formado, e assim segue em várias áreas!...
  3. Como a UCPel te ajudou na escolha da carreira e conquista de um emprego? Na verdade qndo eu entrei na facul nem sabia o que queria da vida ( tanto que fazia publicidade!e agora faço jornal!), acontece que na minha primeira aula de fotografia eu simplesmente me encantei com aquilo tudo! e com o laboratório e etc... então decidi que queria aquilo pro resto da vida (mas juro que as vezes eu pergunto se quero mesmo já que acho que eu não levo jeito pra isso!), direto já segui trabalhando no labs de foto
    como tutora, depois virei monitora e continuei até o acordo que teve entre sindicato+ucpel+diário popular para estágios! era umá vaga para fotografia e três para redação, pediram indicação na Ucpel e fui indicada para a vaga! lá fiquei um ano, e logo depois que saí de lá surgiu uma vaga pra estagiar no Ministério Público no setor de relacionamento (assessoria interna! intranet e tal...)eles estavam criando a área específica de fotografia e não tinham ninguém!( fiquei sabendo pela minha irmã que é
    promotora e tem acesso a intranet!) aí fiz o teste + entrevista e cá estou! já fazem 10 meses! então acho que a Ucpel me deu esse empurrão! fazendo o meu nome sair de dentro das paredes do laboratório! :) (ai que saudade enorme!!!!) Ah sim, e com a foto eu descobri que publicidade não tem nada a ver cmgo!e sim, jornalismo!
  4. Estás satisfeita com teu emprego? Se estou satisfeita é difícil dizer, pq agora eu to fazendo assessoria, e não é beeeeeem o que eu quero! eu quero é trabalhar com notícias de verdade! fatos acontecendo! sentimentos! quero muito voltar ao jornalismo impresso! ou ir conhecer o mundo das revistas... he he he essas coisas além de reuniões com chefes de poderes, gosto da adrenalina da coisas que podem acontecer e tu tem que ir pra fazer sem saber direito o que é! (sem contar que tu não precisa estar vestindo terninho trabalhando em jornal!!!!). Então, eu acho tri importante pro meu currículo estar aqui hoje fazendo contatos e tal... gosto daqui, mas não quero pra sempre!
  5. Se pudesse, voltaria a morar em Pelotas ou pretende viver e trabalhar em
    outras cidades? Por quê? Voltar a Satolep... eu morro de saudades das pessoas, dos lugares, da faculdade, dos doces, do pancho, da sorvesucos, etc etc etc... hehehehehe
    mas... pra voltar só se acabar meu trabalho aqui e eu não conseguir mais nada ou então voltar praí com emprego garantido! a cidade não tem campo pra fotografia! e menos ainda fotografia jornalística (mas eu ficaria feliz em voltar pro DP)... na verdade eu vou pra onde surgir oportunidade, se surgir de voltar e eu achar que vale a pena....volto sem problemas! se surgir pra outros lugares...vou! e se for e não for feliz...volto! (nãoque eu seja tão feliz em poa como eu era em pel, mas ainda estou teimando em ficar!).

Mariângela Paz
  1. És formada? NÃO.
  2. Independente disso, achas importante ter diploma? MUITO IMPORTANTE, OU MELHOR, INDISPENSÁVEL. EMBORA MUITAS PESSOAS NÃO DÊEM VALOR AO DIPLIMA DE JORNALISTA, PELO FATO DE PESSOAS Ñ FORMADAS TRABALHAREM NA ÁREA, UM BOM PROFISSIONAL SÓ EXISTE COM DIPLOMA, AQUELE QUE
    CURSA A UNIVERSIDADE, SENDO ASSIM, NOSSA CATEGORIA DEVERIA SER MAIS
    EXIGENTE E MENOS TOLERANTE PARA TARBALHAR NA ÁREA APENAS QUEM SE DEDICOU, NO MÍNIMO, 4 ANOS PARA ENTRAR NELA!
  3. Como a UCPel te ajudou na escolha da carreira e conquista de um emprego?
    A UCPEL ME AJUDOU MUITO NO APRENDIZADO PRÁTICO, FIZ TV E JORNAL, E APRENDI MUITO COM ISSO, E HJ TENHO UMA BOA EXPERIÊNCIA NAS ÁREAS.
  4. Estás satisfeita com teu emprego? ESTOU MUITO SATISFEITA COM O MEU ESTÁGIO NA ASSESSORIA DE IMPRENSA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. AMO O QUE EU FAÇO, E AMO MORAR EM POA.
  5. Se pudesse, voltaria a morar em Pelotas ou pretende viver e trabalhar em
    outras cidades? Por quê? NÃO PRETENDO NÃO VOLTAR À PELOTAS. EU JÁ HAVIA SAIDO DE PEL EM 2000, FIQUEI ATÉ 2005 EM CURITIBA, VOLTEI A PEL, VOLTEI A UCPEL, E HJ ESTOU FORA DENOVO. REALMENTE TIVE A PROVA DE QUE FORA DE PELOTAS É BEM MELHOR PARA MIM, POR ISSO NÃO PRETENDO MAIS VOLTAR! APENAS À PASSEIO!


"US are the greatest country in the world"

Quem é que ainda crê na afirmação acima? Hardly anyone.
Nos últimos anos, com as duplo mandato do presidente Bush -ou duplo fiasco- foi exposta para o mundo todas as atrofias da grande nação. Territorialmente falando, claro.
Mas especialmente nos últimos meses se vê na TV a cabo brasileira demonstrações de que o barquinho afundou mesmo. É como se siplesmente tivessem perdido o respeito. Com razão.


Prova disso é a nova programão P.I. da Sony Entertainment Television. Tendo como redatores os mesmos criadores de South Park, That's My Bush é uma státira dos antigos sitcoms, onde os personagens atrapalhados estão na verdade dentro da Casa Branca, comandando a nação. No final, risadas, e a já clássica frase que é impossível não bradar junto: "Laura (Bush) someday...I'm gonna punch you in the face!"

"Can't belive he's actually in the White House!"

Lil' Bush é um desenho animado onde os figurões do Estado americano são criancinhas, se metendo em aventuras pela White House. Pequena Condolezza, pequeno Dick Cheney, pequeno Rumsfeld são liderados por Bush filho, supervisionados por Bush-pai, num duplo-sentido de fazer pensar. Interessante notar como as criancinhas já têm inculcadas a mentalidade imperialista, demonstrando o comportamento de crianças mimadas que se sentem superiores, e por isso discriminam outras crianças. Parece que muito não mudou, a não ser pelo poderio bélico.




Por último, The Daily Show Global Edition, com John Stuart, é uma análise contendente da patética política e mídia americana, que deixa furos que mais parecem crateras, sensacionalismo barato mascarando a falta de qualidade da mídia em geral, escândalos sexuais políticos. Todos assuntos recorrentes. É bem verdade que se nota uma pintada de republicanismo por vezes, ironicamente utilizando o "método Michael Moore" de abordagem: utilização de humor e uma boa dose de sarcasmo to prove a point.

A conclusão que se chega é que, de fato, se os US mandam no mundo, estamos sendo governados por idiotas. Por outro lado, massageia o ego do brasileiro. OK, somos ignorantes, mas pelo menos não somos ignorantes com ilusões de grandeza.

Sindicatos atentos ao desenvolvimento regional

Em Rio Grande existem atualmente sete sindicatos da zona portuária: Bloco, Consertador, Vigia, Conferente, Armadores, Estivadores e Portuários.
A entrevistadora e o entrevistado.

O depoimento a seguir é uma transcrição da entrevista radiogravada com César Wojciechowski, representante do Sindicato dos Portuários.


Sobre a visita do presidente e os novos investimentos na região.
Nós num âmbito geral, como qualquer cidadão, pois pra nós o desenvolvimento da cidade é importantíssimo, mas como sindicato nós trabalhamos para que o desenvolvimento econômico venha também com um avanço social junto. Ainda ontem houve o anúncio do interesse da Petrobrás de investir mais de R$10 milhões na renovação de frotas e construção de plataformas.

Sobre o Cidec-Sul:
É importante a qualificação da mão-de-obra... Infelizmente as autoridades daqui não tiveram (antes) a devida atenção. Esse não é um processo que se dá de hoje pra amanhã, é uma coisa estudada, pensada, houve concorrência pública. Então, havia a necessidade das pessoas responsáveis pelo desenvolvimento do município terem preparado a população com cursos, etc...O curso de mecânica do SENAI antes era no mínimo de dois anos, hoje é de sessenta dias, então nós paramos de qualificar, e foi necessário pessoas de fora virem trabalhar aqui. Até porque nós passamos por um período de neoliberalismo, estagnação e desemprego e a cidade não havia se preparado para essa nova etapa que o governo Lula nos proporciona. Mas agora a cidade foi brindada com grande potencial de desenvolvimento.

Site do Porto de Rio Grande.





Em Rio Grande, Lula anuncia criação de centro tecnológico e pondera sobre a duplicação da BR-392

Em visita a Rio Grande, Lula falou de investimentos na região e diz que vai tentar renegociar o contrato com a Ecosul. Marcaram a visita a presença de movimentos sociais.


No dia 3 de abril, o presidente e uma grande comitiva que o acompanhava, estiveram em visita ao extremo sul do país. O objetivo da visita era anunciar investimentos na região previstos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que contemplam principalmente a zona portuária e a capacitação tecnológica dentro do município, que vêm para qualificar a mão-de-obra local e agregar valor à região. Entre 2007 e 2010 serão investidos 14,5 bi de reais na região Sul.

Após visitar a plataforma P-53 e o Dique-Seco, o presidente rumou para a FURG (Fundação Universidade do Rio Grande), onde inaugurou junto com o Reitor João Carlos Cousin o Centro Integrado de Desenvolvimento Costeiro e Oceânico, o Cidec-Sul, que será referência nacional em tecnologia marítima.

Também foi anunciada a implementação do Territórios da Cidadania, cujo primeiro território a receber os investimentos é o do extremo sul. Este projeto, viabilizado através da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (SEAP) do Governo Federal, vem sendo pensado há anos, através da realização de fóruns com agricultores e pescador sob organização de instituições como a Embrapa e Emater. A região do extremo sul do RS a primeira contemplada pois é a mais bem articulada no sentido do encaminhamento das proposições estabelecidas nesses fóruns.


Os movimentos sociais também marcaram a visita do presidente à FURG. Lá se encontravam sindicatos filiados à CUT e à Força Sindical, bem como grupos culturais, como o ArtEstação e grupos de dança. O CPERS/Sindicato (Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul – Sindicato dos Trabalhadores em Educação) marcou presença: quando chamada ao Púlpito, a governadora do RS, Yeda Crusius - PSDB, foi bastante vaiada pela reforma que está operando na educação do estado. De uma maneira geral, ela foi vaiada por todo público presente, ao contrário do ex-governador Olívio Dutra e do senador Paulo Paim, executor de alguns estatutos como o do Idoso, do Deficiente Físico e da Igualdade Racial.


Outras autoridades que estiveram presentes: senador Paulo Paim, ministro da Defesa Nelson Jobim, ministro da Educação Fernando Haddad, ministro do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deputada Manoela Dávila, deputado Henrique Fontana, entre outros. Compuseram a mesa ainda o prefeito do Chuí e presidente da Associação de Prefeitos da Região Sul, Hamilton Silvério Lima, o Reitor da FURG e o presidente do DCE da FURG.


Quando indagado sobre a duplicação da BR-392, entre Pelotas e Rio Grande, Lula respondeu assim:

"Quero dizer duas coisas para vocês: essa obra está no PAC. Nós a definimos como prioridade. Mas nós não vamos construir uma estrada dentro de um contrato perverso que foi feito. Não iremos construir, porque não vamos construir uma estrada com o dinheiro do povo brasileiro, para dar para o empresário ganhar pedágio. (...) Nós queremos renegociar. Se estiver disposto a negociar, nós vamos fazer. Se não der certo, prefeito, nós vamos tentar fazer por conta própria, vamos encontrar um jeito. Aí vai ficar uma coisa inusitada: de um lado, uma estrada privatizada, cobrando pedágio; de outro lado, uma estrada nossa, de graça. Mas enquanto a gente discute – eu penso que dentro de 30 dias, 40 dias nós teremos a solução, se vai ter acordo ou não para a gente refazer o contrato – tem o problema do trecho 1, que é o contorno de Pelotas, que nós vamos ter que começar a fazer, o projeto executivo nós vamos terminar e vamos fazer. "

Extraído de http://www.info.planalto.gov.br/, transcrição do discurso do dia 03/04/2008.

Lula e a governadora do RS em visita à P-53.


O ministro das Cidades, Olívio Dutra, visita as obras do dique seco.


O presidente na cerimônia de lançamento do Cidec-Sul ainda com macacão de operário.


Lula fala ao público que o aplaude: lançamento do Cidec-Sul e repúdio ao contrato com a Ecosul.


Ao fundo, as bandeiras amarelas do CPERS/Sindicato em protesto à fala da governadora Yeda Crusius.

Fotos: G1 e Rio Grande em Fotos

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Aventura e desventuras de uma acadêmica em busca do presidente

O título parece nome de filme da Sessão da Tarde, mas não. Este é um relato de uma com o chamado "terceiro grau incompleto", em busca de um encontro com o presidente da República em Rio Grande.

dias 1° e 2 de abril: corrida atrás da credencial. A famigerada credencial! Logo se descobre que o site do Governo Federal é nenhum pouco navegável, as informações parecem escondidas em algum link obscuro onde só aqueles com 'a senha' podem entrar. A dificuldade de encontrar uma Sala de Imprensa, de contatar um Assessor de Comunicação, é inacreditável. Essa simples informação sobre os requisitos para se ter a credencial, um formulário, nada se encontra. Tudo é lento, fica-se dando voltas e reclicando interminavelmente. ACHEI! OK, requisitos em mãos: toda burocracia é necessária. Papel timbrado da empresa para a qual se trabalha, registro de jornalista, n° da carteira de trabalho, número do sapato, quantos graus de miopia, cor preferida, detector de mentiras. Tudo isso até o meio-dia de ontem. Já era. Informação: tumulto na entrega das credenciais, num hotel na praia do Cassino. Vários jornalistas ficaram sem as suas. "É nessa fresta que eu entro".

dia 3 de abril, 6h30: Já em Rio Grande, acordei cedopara pesquisar na Internet sobre alguns confirmados à visita: senador Paulo Paim, deputado Henrique Fontana, ministra Dilma Rousseff, a mesma que dias antes aparecia transtornada se explicando pra imprensa por causa do escândalo-relâmpago do chamado dossiê contra FHC. O 'testa-de-ferro' Tarso Genro. Enfim. só os "peixes-grandes". Eu já cheia de perguntas, principalmente com relação à duplicação da BR-392. Bloquinho em mãos, gravador na bolsa, indumentária de jornalista, fui!


9h15: chego à Radio Nativa, onde me encontraria com minha colega Wanda Leite, proprietária da rádio, para ir de carona e de quebra colaborar com a cobertura da rádio. A notícia: ela partiu há 15 min em direção à plataforma P-53 e logo após para o Dique Seco, acompanhando toda comitiva presidencial.

9h20: sozinha em Rio Grande. Sem café, cigarros ou créditos no celular. Procurando uma cafeteria. Não existia nenhuma. Como se uma porta universal se abrisse, soprando-me alguma ventura, encontro um colega da ECoS do outro lado da rua. O Thiago havia trabalhado por um ano na RBS-Rio Grande como cinegrafista e estava a caminho de uma tabacaria/cafeteria. Ventura define bem. Devidamente cafeinada e nicotinada, como uma verdadeira jornalista à moda antiga, rumamos para a RBS, onde encontro mais uma colega, a Tita, que trabalhava na Atlântida e agora é repórter na TV. Ela e o cinegrafista voltavam da plataforma P-53, onde fizeram imagens, e me disseram que estava realmente conturbada a coisa toda, a imprensa de um modo geral. Ainda mais sem credenciais. Uma esperança: A Tita me deu o telefone da Rosane, assessora de comunicação da FURG, último local por onde o presidente passaria, e para onde me dirigia. O Thiago me acompanhou até o ponto de ônibus, fazendo ainda o papel de guia turístico até lá. Cidade bem simpática, Rio Grande. No ônibus o cobrador riu quando pedi pra ele me avisar quando chegássemos na FURG, e logo entendi o porquê, quando no próximo ponto subiu alguém perguntando a mesma coisa. Fiquei imaginando quantas vezes ele havia respondido que não saberia se o ônibus entraria de fato na FURG, "porque com essa função toda do Lula...". Na cidade toda só se falava disso. Frases soltas que ouvi pela rua me ratificaram a suspeita de que assim seria. Rumando sozinha pra um lugar desconhecido.


11h: Campus Carreiros, FURG. Filas, enormes. O povo, a imprensa. Os brigadianos, sem motivo algum, decidiram barrar a imprensa, já devidamente identificada, de crachás. Liguei para a Rosane, ela não poderia me ajudar. Tentei ligar para Wanda Leite, não havia armazenado o número. OK, lá vou eu encher os ouvidos dos seguranças, porteiros, pessoal do cerimonial, vereadores (que por sinal não conhecia, pois como se sabe, moro em Pelotas), repórteres...Qualquer um que pudesse me ajudar a acessar aquele lugar. Encontrei um amigo: o Celso, ex-diretor do PT de Rio Grande, atual coordenador do ArtEstação, que me fez companhia, discutiu sobre as coisas da vida e do universo, sobre os rumos da política, sobre o PT, e ainda me apresentou um bando de sindicalistas. O mais importante: graças a ele eu entrei devidamente autorizada. Alguém veio e lhe deu um bottom amarelo escrito PR = Presidência da República. O bottom era destinado aos sindicatos, e ele, que jáconhecia o Lula há anos e desanimado com a demora toda, deu-me o seu. "Sindicato dos Jornalistas", caso fosse perguntada (de fato lá trabalhei e sem dúvida serei uma sindicalizada quando me formar).


Pra quê tudo isso???










Entrei
! Uma mulher veio e disse que eu TINHA QUE entrar, pois estava de botom amarelo. Conheci um monte de gente importante. Fiz várias entrevistas, bons contatos. Ninguém como o presidente ou algum ministro, mas gente de perto, gente que eu posso ter um contato mais direto. E essa 'conhecência' já me gera bons frutos...



video
Entrei! Área restrita à imprensa e aos movimentos sociais. O povo atrás da gradezinha.



13h: o presidente adentra o palco pelos fundos. Rumores diziam que ele passaria perto, bem no meio da multidão. Fiquei no fundo. Ele passou bem longe. Foi acabar lá pelas 14h30. EM SUMA: pra mim foi uma verdadeira aventura me virar num lugar desconhecido, não que isso seja novidade, mas não deixa de ser sempre uma 'pressão'. Várias lições ficaram, erros que devem ser cometidos uma vez pra se saber que errou, mas só uma vez, pra logo consertar. Várias coisas deram errado, outras tantas deram certo. Lição pra estudante: ampliar os contatos, pesquisar ainda mais antes das empreitadas, descobrir soluções o mais rapidamente, e o mais importante, cara de pau! Alguma dose de sorte cai bem.










O povo ainda achava que ele passaria por ali, pelo meio.
E eu, também.



Posso dizer que o Lula é uma pessoa extremamente carismática, foi ovacionado pelo público presente -a maioria pestista - bem como os senadores, deputados e ministros lá presentes. Pode-se utilizar também o adjetivo populista para designá-lo, pois usa termos que se igualam ao falar popular: evoca Deus, fala em coração, esperança, auto-estima do povo brasileiro. Pode ser a nova versão do Lula, aquela que destruiu os sonhos dos esquerdistas ortodoxos, mas pelo menos não é um tucano.


O que é um pontinho laranja no meio do palco? O Lula com macacão da Quip.




Um pontinho laranja
acena do helicóptero.









O povo dispersa na seqüência.
Dezenas de ônibus agurdam.









Novos contatos: um integrante do PT de Rio Grande e Bill Magalhães, do Sindicato dos Fertilizantes.



14h30, campus Carreiros.
Ostentando o botom amarelo que diz PR: Presidência da República; o que me fez entrar.


Fotos: Reizel Cardoso.
Camera : Motorola V3.

"Aqueça seu coração"


Os alunos de um grupo da disciplina de Comunicação Comunitária e Cidadania da UCPel lançaram nesta quarta-feira, dia 16 de Maio, o projeto "Operação Novelo". Até o dia 30 de Maio serão recolhidos nos postos de coleta (ver abaixo) novelos de lãs que serão repassados à duas entidades que encaminharão os novelos devidamente tricotados para comunidades carentes: o Bouquet do Amor, organização de senhoras da sociedade pelotense que faz caridade a um público cativo há alguns anos, e ao Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade da Universidade Católica de Pelotas (CETRES). Integrantes do CETRES fizeram uma participação especial no dia do lançamento da campanha, tricotando pelos corredores do Campus II da UCPel, decorados com fios de novelo que formavam uma verdadeira rede acima da cabeça dos passantes.

Uma novidade na divulgação da campanha são os endereços virtuais. A Operação Novelo tem blog, perfil no Orkut e pode até ser seguida no Twitter. No blog do jornal Atuação, da disciplina de Jornalismo Gráfico, pode ser acessado o release do projeto.

O projeto conta com a participação de toda turma do "Comunitário", ou seja, "trinta alunos, menos três" nas palavras da entrevistada Gabriela Zago. Os dissidentes estão desenvolvendo um projeto de inclusão digital para crianças carentes.
Cada um dos vinte e sete alunos integrantes da disciplina ministrada pela profa. Cristina Porciúncula, colabora à sua maneira, seja na organização das equipes, produção do material gráfico, gravação de VTs, jingles, patrocínios, decoração, etc.


Postos de coleta de doações:
  • Campus II da UCPel
  • Buraco D'Agulha
  • Casa da Vovó
  • Posto da Dom Joaquim
  • Camminata
Patrocínio:
  • C&M Comunicação e Marketing
  • Ótica Max
  • Casa da Vovó

quinta-feira, 6 de março de 2008

O universitário da ECoS e o que o futuro lhe guarda

Perpectivas profissionais

O jornalista já foi considerado o paladinos da verdade, aquele todo-íntegro que fiscalizava os 3 poderes e seus abusos, e por isso acima deles.
A desconfiança e o voto de pobreza são as armas dos céticos pelotenses, que de alguma maneira seguram a dignidade com as duas mãos e tentam se sustentar na profissão.


Existe esperança pros acadêmicos da ECoS? Qual a linha entre o sucesso e a satisfação?


Para
Aline Reinhardt, repórter há quase 1 ano do famigerado Diário Popular, o fluxo aponta pro eixo Rio-Paulo. Nem mesmo Porto Alegre está dando pro gasto.
Sobre a realidade da profissão, ela anda bem satisfeita com a liberdade que tem escrevendo no caderno jovem, embora evite certas discussões conflituosas.
As pessoas ficariam chocadas com uma matéria que divulgasse os números reais da população jovem gay.” Bem sabendo em qual veículo e para quem escreve, ela se mantém no ritmo da redação e trabalha bem. Mas, Aline, dá pra ter sucesso e satisfação em Pelotas?Seria legal se tivesse. [Mas] Nunca me cortaram.”

Do outro lado da mídia pelotense, Eduardo Menezes, militante pró rádios comunitárias – já está bem vacinado contra as armadilhas da profissão. Depois de alguns anos lidando com a realidade independente e o caráter político da atuação descentralizada e sem jabá, ele é bem categórico. “Exercendo a profissão de maneira medíocre, dá [pra ter sucesso profissional em Pelotas]. Ou então a pessoa tem que ter muita criatividade e não se importar em ganhar pouco.”

Tem um ponto que todos nós
concordamos (com um suspiro de realidade velada, caracterizando o conflito psicológico do fazer profissional). Sim, é possível sobreviver de jornalismo em “Bolotinhas” –apelido carinhoso. Fazendo concessões consigo mesmo e aceitando alguns trabalhos que não realizam profissionalmente. O jogo de cintura serve pra alçar vôos mais altos.
Dudu Menezes
acredita que exista essa vanguarda criativa, uma nova geração de profissionais criativos e libertários. Eu também. – Tomara!